segunda-feira, 16 de setembro de 2019

Trabalho

Que historia é essa de que se merece menos?
Por que alguém mereceria menos?
Não se pode merecer menos se se está disposto e
vivendo.
Não se pode merecer menos se o seu trabalho é importante para a produção de riqueza.
Não se pode merecer menos se necessita de saúde
física e mental para sobrevier, viver e continuar produzindo.

Existe a ideia de que se merece menos pois tem menos responsabilidades. Ora. Se o trabalho é essencial para o funcionamento da empresa. Se é cobrado do cliente a mais pelo serviço que é feito pelo trabalhador, é justo que ele seja remunerado de maneira decente. Os donos de capital tem responsabilidades por que têm, em primeiro lugar, mais liberdade material que os trabalhadores.

O chefe trabalha mais (nas pequenas empresas), mais também é seu trabalho mais cheio de significado, mais engajado e muito melhor remunerado que o trabalhador, que faz uma atividade alienante, que não lhe pertence. Assim o dono do capital tem um ganho duplo: o espiritual e o material.

Para o assalariado resta a alienação, o cansaço, as dívidas, a baixo auto-estima, o estigma da pobreza, a violência da chantagem ("se não quiser tem quem queira") e por aí vai.

Para o dono do capital resta o sentimento de posse, a liberdade material de criar e fazer do seu jeito, o mérito do próprio trabalho, o mérito do trabalho alheio, a boa remuneração, o conforto, a recompensa.

quinta-feira, 16 de maio de 2019

O tempo é o tecido de nossas vidas

Agora que eu não estou mais em uma rotina assalariada tenho uma coisa muito valiosa: o tempo. Posso cuidar do meu corpo, posso ter uma boa noite de sono, posso cuidar da minha alimentação e tenho muito mais calma para os afazeres - o que melhora minha auto-estima e minha saúde mental. O tempo também é útil à reflexão. Pensa bem quem pensa com calma. Engraçado as contradições do capitalismo. Morando com meus pais, abdicando de uma rotina assalariada, eu tenho este direito praticado (que na conjuntura vira privilégio) da calma, do tempo. Se estivesse na rotina do casa-trabalho-casa, construindo riqueza para alguém, sofreria com a ansiedade da pressa, o constrangimento do trabalho assalariado alienado e com a bitolacao da única tarefa. E ainda sofreria, num subemprego, o estigma da pobreza. A única tarefa nos decompõe à medida em que nos cansamos e perdemos desempenho quando estamos, durante muito tempo, num mesmo local, com as mesmas pessoas, os mesmos dramas, as mesmas ansiedades. A diversificação de atividades engajadoras e que exigem auto-disciplina é a chave para uma vida física e mentalmente saudável. É preciso, a despeito da aparente implacabilidade da lógica produtiva da sociedade do desempenho, diversificar atividades despretensiosas e que nos potencializem.

segunda-feira, 28 de janeiro de 2019

Tempo, dinheiro, sonhos e utopia

Qnd o medo, a ansiedade e a constatação de fraqueza vierem, a tranquilidade será dada como ingenuidade. O tempo é o tecido de nossas vidas. Tempo só é dinheiro pra quem trabalha. Pra quem manda dinheiro é capital, e capital é tempo... dos outros. O medo e a vergonha são duas correntes que prendem o escravo moderno - entre outras correntes, como o cansaço e a falta de tempo. Escravo é aquele que só age coercitivamente. Nesse sentido somos todos escravos num certo sentido. Talvez seja menos escravo quem é mais motivado, ou mais iludido. A realidade não serve ao sonho. E o sonho, mesquinho, tampouco deve se moldar a realidade. O sonho deve morrer. No seu lugar deve surgir a ética e as utopias, que devem permanecer como utopias e não se decomporem na demagogia sectária do medo do fracasso. Só fracassa quem sonha, e a esperança é irmã do medo.