Tem várias coisas que eu penso e que me afetam de maneira significativa. Eu tenho a impressão que não, mas a verdade é que cada coisa que eu levo em consideração, mesmo que num pensamento distante, que não vem exatamente à tona, me afeta. Esses pensamentos sempre têm um valor moral. Me colocam sobre o que eu devo sentir culpa e o que devo temer. Eles são nebulosos, mas estão aí na minha cabeça, me afetando e influenciando a minha vida. A racionalidade funciona sobre uma base feita de pensamentos inconscientes. É possível ficar fascinado com a superfície e se esquecer do que está por baixo. Cada valor, cada temor, cada descrição dos fatos que faço de maneira quase inconsciente e não-imediatamente racional me afeta: me potencializa ou me decompõe. Geralmente a segunda opção.
Eu tenho várias preocupações em relação à minha vida profissional. Fico aterrorizado com a ideia de ter que me sacrificar (me esforçar em trabalhos que não vão me render grana nem autonomia). Fico aterrorizado com a ideia de não ter força para fazer esse esforço e não pegar a recompensa que pode estar mais a frente - é uma aposta. Tenho medo também da ideia de ser bem sucedido. Talvez também porque ser bem sucedido pode ser um eufemismo para uma vida sem sentido.
A minha vida já não tem muito sentido. Pratico uma certa ataraxia. Mas que escolha eu tenho? A vida é vivida à revelia da minha vontade. Sou o que sou independente da minha vontade. É preciso aprender a se colocar. Existe uma fina linha entre a resignação e a humildade em relação ao que te acontece, e em consequência uma sabedoria para lidar com as contingencias.
A resignação vem com a neurose. A preocupação da vontade alheia. O medo da ação alheia. A emancipação está no fechamento do mundo. Retirar as pessoas de dentro de si mesmo, até que sobre só a si mesmo. A confiança é um tipo de solidão. A calma tem tudo a ver com a solitude. A meditação é uma anti-conversa. Não dá pra se abrir por aí. As forças dos grupos são implacáveis. É preciso se alienar na medida certa. Se apoiar em uma motivação íntima e subjetiva. Calar o barulho do mundo e ouvir o de dentro.
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