sexta-feira, 12 de outubro de 2018
Sobre o desamparo e a implacável realidade da vida: o movimento
Não existe plenitude na vida. Aquela segurança prometida da infância, que parecia que iria chegar a qualquer momento, e que tudo era uma questão de fazer o que é certo, o que o outro pediu pra fazer, ou o que é preciso ser feito para que o universo te recompense, aquela segurança, agora, parece tão infantil, tão ingenua, não é nada mais que uma ilusão da ignorância. A vida é devir, a vida é uma experiencia, não tem nada nesse mundo que seja como uma finalização, uma plenitude. A vida não é sobre objetivos finais, é sobre sobreviver. Sobrevivência é a unica coisa pela qual nos esforçamos no final das contas (sobrevivência física, mas sobretudo mental e espiritual), o resto é vaidade, caprichos ilusórios, que quando não realizados nos levam à depressão. Felicidade é saúde, é estar saudável, ereto, não aquela alegria vazia que mais me parece desespero.
domingo, 9 de setembro de 2018
Os afetos e a criação cotidiana
Já é sabido o poder dos afetos. Eles nos constituem. É preciso entrar na luta dos afetos, criar os próprios afetos. A luta é semântica e de sentido. É preciso criar sentido e espíritos novos. É preciso criar. Pois sempre há espaço para algo surgir. E algo sempre surge. Se se fica passível diante do tempo, temos menos controle sobre o surgimento, se nos tornamos fazedores e nos engajamos diante do tempo, temos - não mais controle - mas afetamos mais o que está para surgir.
sexta-feira, 18 de maio de 2018
O mal humor, a vaidade, a despotencialização
Existe um jeito de enxergar as coisas que tem haver com a postura incômoda dos mal-humorados. Esse jeito de enxergar as coisas é mais ou menos assim. Vê-se o outro como algo implacável em sua beleza e força. Daí, olhando para si mesmo e se lamentando de não ter nascido forte ou belo, adota-se uma postura dupla: uma auto-depreciação no sentido de se rejeitar, numa despotencialização, numa degradação, e ao mesmo tempo um orgulho dessa força externa que se prova sempre superior. Daí os gostos, os desejos, as vaidades, que sempre vão em direção ao que não é, o que não está. Está sempre incomodado, como se o mundo não fosse perfeito e, não sendo perfeito, não é merecedor do prazer em se viver. Como se essa imperfeição (temporária nesse raciocínio) fosse dar lugar, mais cedo ou mais tarde, à perfeição que traz a promessa de redimir as coisas. Mas essa promessa nunca se concretiza. As coisas sempre estão por fazer, por se concretizar. Não há perfeição no outro. A comparação é uma ilusão, uma projeção platônica das energias internas que não se resolvem devido à repressão. É precisa praticar a empatia com inteligencia, pois é a própria empatia que nos faz sentir uma ofensa, ou uma rejeição. É justamente porque eu consigo me colocar no lugar do outro que sinto a ofensa tirar uma força de mim, me decompor. É preciso não sentir empatia para com os algozes. Não há algozes, todo o conflito acontece na mente. A vaidade é sempre uma projeção, uma tentativa de se colocar no lugar do outro. A verdadeira empatia não tem a ver com se colocar no lugar do outro, tem a ver com a maturidade de entender que o outro, em alguma medida, sou eu - não por uma identificação narcísica, mas por uma sensatez da convivência, da sobrevivência.
sábado, 5 de maio de 2018
Sobre a culpa e a incomunicabilidade
O grande sentimento. O sentimento final é o da paralisia. A paralisia é a culpa. A culpa é a condenação, a pena ordinária de todos os dias. O convívio é baseado na lógica da pena, onde sua expressão principal é o moralismo. Eu tenho aversão ao moralismo como tenho da pena. Meu silencio diante do moralismo é em forma de protesto. Daí meu silencio em geral. A linguagem violenta do cotidiano é a linguagem moralista. Nos orgulhamos de cumprirmos pena a nós mesmo todos os dias na nossa vaidade derrotista.
sábado, 10 de fevereiro de 2018
Sofrimento, Ideologia, Sobrevivência
Abrir mão de se respeitar e de praticar suas potencialidades não vai libertar ninguém. Vai encher com mais um o banco da alienação. É preciso se auto-libertar como um ato de ética e de bondade para a humanidade, incentivando aos outros a fazerem o mesmo, criando um sentido coletivo de liberdade (não queira temer esta palavra como algo ingenuo, a liberdade não é nada épico, a legitima liberdade é simples e ordinária, é uma postura, uma prática de espíritos saudáveis).
A vida é resistência. Não existe plenitude. A vida é questão de fé. A vida é questão de se defender. Deve-se defender sempre. Ficar longe do que te faz mal é sobreviver. Se respeitar é sobreviver. Fazer o que faz sentido e o que te faz bem é sobreviver. Porque no final do dia, não importa o seu sacrifício (seja ele baseado na culpa ou não), não importa seu nível de utilitarismo para justificar o sofrimento, você não vai sobreviver se não fizer o que te faz bem, vai acabar doente, sem disposição, sem força nem para ser uma ferramenta da ideologia. A ideologia mata. A ideologia não garante nada pra ninguém. A ideologia não tem responsabilidade. Porque ela funciona a partir de uma lógica própria, ela justifica a si mesma. Não existe ideologia hipócrita. É precisa se fazer de ignorante e ignorar a ideologia. É uma boa forma de escapar dela.
A vida é resistência. Não existe plenitude. A vida é questão de fé. A vida é questão de se defender. Deve-se defender sempre. Ficar longe do que te faz mal é sobreviver. Se respeitar é sobreviver. Fazer o que faz sentido e o que te faz bem é sobreviver. Porque no final do dia, não importa o seu sacrifício (seja ele baseado na culpa ou não), não importa seu nível de utilitarismo para justificar o sofrimento, você não vai sobreviver se não fizer o que te faz bem, vai acabar doente, sem disposição, sem força nem para ser uma ferramenta da ideologia. A ideologia mata. A ideologia não garante nada pra ninguém. A ideologia não tem responsabilidade. Porque ela funciona a partir de uma lógica própria, ela justifica a si mesma. Não existe ideologia hipócrita. É precisa se fazer de ignorante e ignorar a ideologia. É uma boa forma de escapar dela.
sábado, 20 de janeiro de 2018
É preciso fazer o que está ao alcance. Se dou um passo à frente já estou em outro lugar.
DO que adianta se frustrar do que não faz se não se faz? Se se pode fazer então por que não faz? Aí que tá. Nada é tão fácil assim. É preciso respeitar o tempo e as vontades do universo. Não force nada na mente nem na realidade. Aja de acordo com os movimentos naturais.
DO que adianta se frustrar do que não faz se não se faz? Se se pode fazer então por que não faz? Aí que tá. Nada é tão fácil assim. É preciso respeitar o tempo e as vontades do universo. Não force nada na mente nem na realidade. Aja de acordo com os movimentos naturais.
terça-feira, 9 de janeiro de 2018
VIDA PROFISSIONAL | INCONSCIENTE | RESIGNAÇÃO OU HUMILDADE?
Tem várias coisas que eu penso e que me afetam de maneira significativa. Eu tenho a impressão que não, mas a verdade é que cada coisa que eu levo em consideração, mesmo que num pensamento distante, que não vem exatamente à tona, me afeta. Esses pensamentos sempre têm um valor moral. Me colocam sobre o que eu devo sentir culpa e o que devo temer. Eles são nebulosos, mas estão aí na minha cabeça, me afetando e influenciando a minha vida. A racionalidade funciona sobre uma base feita de pensamentos inconscientes. É possível ficar fascinado com a superfície e se esquecer do que está por baixo. Cada valor, cada temor, cada descrição dos fatos que faço de maneira quase inconsciente e não-imediatamente racional me afeta: me potencializa ou me decompõe. Geralmente a segunda opção.
Eu tenho várias preocupações em relação à minha vida profissional. Fico aterrorizado com a ideia de ter que me sacrificar (me esforçar em trabalhos que não vão me render grana nem autonomia). Fico aterrorizado com a ideia de não ter força para fazer esse esforço e não pegar a recompensa que pode estar mais a frente - é uma aposta. Tenho medo também da ideia de ser bem sucedido. Talvez também porque ser bem sucedido pode ser um eufemismo para uma vida sem sentido.
A minha vida já não tem muito sentido. Pratico uma certa ataraxia. Mas que escolha eu tenho? A vida é vivida à revelia da minha vontade. Sou o que sou independente da minha vontade. É preciso aprender a se colocar. Existe uma fina linha entre a resignação e a humildade em relação ao que te acontece, e em consequência uma sabedoria para lidar com as contingencias.
A resignação vem com a neurose. A preocupação da vontade alheia. O medo da ação alheia. A emancipação está no fechamento do mundo. Retirar as pessoas de dentro de si mesmo, até que sobre só a si mesmo. A confiança é um tipo de solidão. A calma tem tudo a ver com a solitude. A meditação é uma anti-conversa. Não dá pra se abrir por aí. As forças dos grupos são implacáveis. É preciso se alienar na medida certa. Se apoiar em uma motivação íntima e subjetiva. Calar o barulho do mundo e ouvir o de dentro.
Eu tenho várias preocupações em relação à minha vida profissional. Fico aterrorizado com a ideia de ter que me sacrificar (me esforçar em trabalhos que não vão me render grana nem autonomia). Fico aterrorizado com a ideia de não ter força para fazer esse esforço e não pegar a recompensa que pode estar mais a frente - é uma aposta. Tenho medo também da ideia de ser bem sucedido. Talvez também porque ser bem sucedido pode ser um eufemismo para uma vida sem sentido.
A minha vida já não tem muito sentido. Pratico uma certa ataraxia. Mas que escolha eu tenho? A vida é vivida à revelia da minha vontade. Sou o que sou independente da minha vontade. É preciso aprender a se colocar. Existe uma fina linha entre a resignação e a humildade em relação ao que te acontece, e em consequência uma sabedoria para lidar com as contingencias.
A resignação vem com a neurose. A preocupação da vontade alheia. O medo da ação alheia. A emancipação está no fechamento do mundo. Retirar as pessoas de dentro de si mesmo, até que sobre só a si mesmo. A confiança é um tipo de solidão. A calma tem tudo a ver com a solitude. A meditação é uma anti-conversa. Não dá pra se abrir por aí. As forças dos grupos são implacáveis. É preciso se alienar na medida certa. Se apoiar em uma motivação íntima e subjetiva. Calar o barulho do mundo e ouvir o de dentro.
Assinar:
Comentários (Atom)