segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

Voltar no tempo

E se eu voltasse no tempo, uns 5 ou 6 anos atrás, talvez mais (mas viver a infância de novo seria foda). Não, 5 anos tá bom. Voltar no tempo para o começo da adolescência. Seria como um Cheat. Com toda a experiência desses tempos faria muita coisa diferente, experimentaria o que acho que deveria ter experimentado, faria as amizades certas, iria me desfazer das erradas. Frequentaria os lugares certos, faria os cursos certos. Já saberia onde buscar conhecimento. Mas fico pensando nisso. Penso que daria uma boa história, um bom livro, ou filme, sei lá. Mas imagino que, de repente, não aplacaria meus medos. E mais, teria de frequentar a escola novamente, esse ambiente que, mesmo após 3 anos da ultima vez que o frequentei, ainda tenho pesadelos com ele. É claro que faria o esforço necessário para estudar numa escola decente, talvez a escola da ponte, o projeto âncora, essa escola sim é legal, só não sei se eles tem ensino médio. Pode ser outra também. Uma boa pesquisa no google resolveria o problema.
Só que não sei. Ainda resta uma dúvida sobre minhas paranoias e minhas ansiedades. Não sei se elas seriam superadas. Por que se tenho uma postura a tomar, a que acho que é a certa, porque não fazer isso agora? Por que estou velho demais? 19 anos é velho demais? Nem pareço um rapaz de 19 anos falando. De repente esse meu devaneio seja um sintoma da minha decadência espiritual. Mas eu sou mesmo decadente, não escondo isso de mim. Só que o futuro me aparece tão assombroso. E nem é o futuro em termos gerais. As coisas melhoraram muito desde a minha adolescência. Não sofro que nem antes. Só que a insegurança continua a mesma. É a insegurança que vem junto com a vida adulta, a insegurança que vem da pressão em se ter disposição e responsabilidades. Na verdade, tocando em miúdos, todo esse medo se resume à vida profissional. Tenho o medo de uma vida sem sentido cheia de estresses que me leve a quadros de depressão, ao mesmo tempo não quero ser “o fracassado” que tem um trampo de bosta. Ao mesmo tempo tenho medo de tentar ser “bem sucedido” profissionalmente e dar ruim. Ao mesmo tempo abomino a ideia de ser “bem sucedido’. Mas sei lá. O que é se dar bem profissionalmente? A maioria das pessoas de quem gosto levam uma vida, assim, julgada pela minha vaidade como “fracassada”, por exercerem funções abaixo do primeiro nível hierárquico no qual alguém possa se autodenominar como chefe.

Voltando à questão do primeiro parágrafo. O que eu faria se voltasse 5 ou 6 anos no tempo, pra época da minha adolescência? Por que me peguei pensando nisso? Será que eu penso que poderia traçar melhor meus caminhos? Aplacaria meus medos? Traçaria com êxito o caminho para uma vida cheia de virtudes pessoais? É muito tarde pra fazer isso? Porque se olhar com atenção, até que tenho melhorado muito. Com o passar do tempo todos melhoramos, por que sempre mudamos o ponto de vista, e à medida que fazemos isso temos a impressão de progresso. Talvez não seja um real progresso, mas certamente há uma mudança. E a memória fica. A ideia que nos diz “nossa, como eu era idiota há tanto tempo atrás” sempre se faz presente, é intrínseca a mudança.
Eu fico parecendo uma criança. Eu me sinto como uma criança. Não aquelas crianças prodígio. Não dessas que andam nascendo ultimamente que parecem vir ao mundo já com uma sabedoria intrínseca, com um discernimento fantástico a cerca das coisas do mundo, já questionando, ensaiando criar os próprios valores. Eu pareço mais a criança que sempre me senti em toda a minha infância, ou melhor, em toda a minha vida. Fico me sentindo preso na minha ignorância e na do mundo. Fico ansioso demais, com um potencial de energia para a rebeldia que se guarda em mim e muito incomoda. É uma angústia que vem do inconformismo nas coisas, misturada a um medo que me mantem preso como se estivesse suspenso no ar e sob forte pressão. Daí eu tenho que me distrair, manter a mente o culpada. Desenvolvi até um "mantra": não pensar, e manter a mente ocupada. O que a gente precisa é dar sentido pra vida. Mas meio que fiquei pensando, depois de uma provocação que ouvi, que de esse talvez não seja o impulso humano primeiro. A afirmação que me fez pensar é a de que o ser humano busca, antes de um sentido, se sentir vivo. Desse modo, a busca por um sentido se torna uma necessidade de conjuntura, dado que as mentiras que nos mantem presos não satisfazem nossa natureza. Essa nova visão alivia um pouco o espírito, dá mais liberdade de ação. As neuroses ideológicas, contraproducentes por natureza, ficam de lado e se passa a enxergar as coisas com muito mais humildade.