quarta-feira, 5 de agosto de 2015
Meu pai dentro da minha cabeça nunca está satisfeito. Tudo o que eu faço está errado. Na verdade, ele se adianta tanto que já antevê o meu erro. Meu pecado então se torna o meu simples ser. Em cada pensamento e emoção deveria, na verdade, me adequar a outra coisa. Trata-se portanto de uma culpa imperdoável, um eterno arrependimento antes do ocorrido. Trata-se de sempre se jugar errado e achar que escolheu a opção não correta. Mas, mais do que isso, trata-se da subjugação do pensamento e do corpo. A indisposição é efeito natural dessa paranoia anti autocompaixão.
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