Escrever é uma farsa, mas é bom pra alma. Escrever, asim como ler, muitas vezes é um modo de aprendizado. Achar lá no fundo aquilo que se pensa a respeito de si mesmo, suas emoções, sentimentos. É como se entender, é como traduzir o que se sente.
Que façamos nosso próprio tempo. Pois o tempo do sistema é alienador, não nos permite o entender. O tempo da reflexão é lento. Quanto se demora pra ler um livro? Que freemos o nosso tempo de informação, esta vasta informação, da internet, e usemos o tempo da reflexão, da auto-reflexão, em busca da tomada de consciência - aquela que é constante, pra toda vida. A sensatez, a clareza, a sobriedade, necessitam de tempo. Que o usemos a nosso favor. Sinal que o estamos usando de maneira errada é a epidemia de ansiedade e medo que vivemos. Ter pressa é como querer pular a própria sombra. Meu braço não estica só porque forço a alcançar algo distante, o mesmo vale pras horas, pros minutos, são melhores aproveitados quando nos esquecemos deles e nos focamos no que é importante.
quarta-feira, 21 de outubro de 2015
sábado, 29 de agosto de 2015
Agora eu tô com essa neura de querer ter um grande repertório cultural, de modo que não consigo mais ouvir uma música, ver um filme, ler algo, sem que considere a pertinência desse "consumo". Fico prestando atenção no meu déficit de atenção, meu analfabetismo funcional, na minha baixa capacidade cognitiva, e como isso afeta no meu objetivo final de ser alguém com grande conhecimento e bem articulado. Isso dialoga diretamente com as minhas dúvidas em relação ao meu sucesso que não sei se obterei na profissão que me espera com a faculdade que escolhi. Começo a não mais ser tocado pelas artes, sobretudo música. Tudo vira uma obrigação pra um objetivo egoísta. Não consigo ouvir com o mesmo feeling as músicas que gosto, nem ler assuntos que me interessam, e nem me apaixonar por artistas novos. Talvez esteja melhorando em outros aspectos (seria uma evolução do tipo: mais triste porém mais forte), mas também não tenho certeza. Talvez esteja me "aculturando", assimilando comportamentos padrão como não consegui antes e, como não sou tão forte como pessoas que admiro, o meu estado natural (como alguém que partilha o mínimo dos valores dessa sociedade) seja a mediocridade espiritual. Talvez esteja mesmo envelhecendo: menos vaidade, mais disposição, menos energia e mais tristeza.
quarta-feira, 5 de agosto de 2015
Meu pai dentro da minha cabeça nunca está satisfeito. Tudo o que eu faço está errado. Na verdade, ele se adianta tanto que já antevê o meu erro. Meu pecado então se torna o meu simples ser. Em cada pensamento e emoção deveria, na verdade, me adequar a outra coisa. Trata-se portanto de uma culpa imperdoável, um eterno arrependimento antes do ocorrido. Trata-se de sempre se jugar errado e achar que escolheu a opção não correta. Mas, mais do que isso, trata-se da subjugação do pensamento e do corpo. A indisposição é efeito natural dessa paranoia anti autocompaixão.
domingo, 2 de agosto de 2015
Sobre aprendizado e o sentido da vida
To sentindo aquela angústia. Aquela velha angústia...
Aquela que vem acompanhada com a falta de sentido na vida, com a minha dificuldade em assimilar a minha cultura.
Obs: Não consigo ser totalmente sincero nessas minhas conversas a sós comigo mesmo, fico emulando julgamentos alheios na minha cabeça, imaginando alguém escutando meus pensamentos, ou lendo isso posteriormente. Mas me esforço pra isso não me atrapalhar o raciocínio.
Como dizia, não consigo assimilar muito bem as coisas da minha cultura. Por exemplo, nunca namorei - é claro que existem outros motivos pra isso, relacionados com problemas de sociabilidade meus. Isso por que nunca vi sentido em namorar, digo, nunca vi sentido no namoro enquanto prenúncio do casamento, o que nada mais é que mais uma instituição a oprimir os seres humanos. Nunca me dei bem com autoridades e regras arbitrárias (não que eu me rebele, mas me causa grande desconforto). O namoro pra mim nada mais é que um compromisso (não é assim que muitos o chamam?), e não me dou muito bem com compromissos, nem com regras, nem com a sensação de dever explicações para alguém. Se tem algo que odeio é dar explicações para alguém, como uma obrigação.
Outra coisa que nunca me desceu foi essa ideia de que o trabalho dignifica o homem. Sei que sou apenas um rapaz jovem, que é sustentado pelos pais, que inclusive lhe pagam a faculdade, e que de repente não tenho nenhum autoridade para falar sobre isso por que simplesmente não sou maduro o suficiente. Acontece que eu quero que se foda, sei que isso não passa de uma ilusão, todos temos o direito de falar o que bem achamos do mundo, e aquilo que nos incomoda. Minha opinião é: isso é ideologia de classe dominante impregnada no senso comum. As duas experiencias de trabalho que eu tive, ambas baseadas em contrato com tempo estipulado de atividade, sai antes do tempo. Na primeira vez era menor aprendiz, trabalha numa empresa de taxi-aéreo, meio-período, e às sextas-feiras ia a um curso de capacitação profissional. No segundo, trabalhei durante quase três meses como auxiliar-administrativo na Saraiva, editora. Já na minha primeira experiência experimentei uma total aversão ao ambiente de escritório, com todas aquelas pessoas preconceituosas, soberbas, ignorantes. Aquilo não fazia sentido pra mim, era uma empresa que ajudava na manutenção de privilégios daquela camada social que tem privilégios, os mais ricos. Aquilo simplesmente ia contra a visão de mundo que eu estava começando a ter. Como vou dedicar parte integral do meu dia à uma atividade que não me pertence, e que pior, tratava de mimar uma classe média alta, ricos e empresários? Pois tinha a promessa de que, se eu continuasse até o término do contrato, poderia ser promovido, mas aquilo já me dava angústia, sai antes de completar um ano. Já na Saraiva, eu me dei de cara com uma jornada de 9 horas de trabalho diárias, exercendo uma atividade repetitiva sob um stress considerável, afinal tratava-se de um período de atrasos nas entregas dos livros às escolas. Os diretores dos colégios ligavam estressadérrimos e na maioria das vezes não tínhamos respostas de previsão, ou quando dávamos alguma posição era a de que iria demorar mais. Os valores e os preconceitos me incomodaram mais uma vez, e agora ainda tinha o fato do stress - meus colegas sempre faltavam para ir ao médico, pelo menos toda semana duas pessoas faltavam - e a tal da hierarquia, fora o salário que não parecia ser o suficiente como indenização da minha saúde mental e auto estima que estavam cada vez mais precárias. Sai quinze dias antes do previsto e passei a me dedicar somente a faculdade, cujas aulas começaram quase juntas com o primeiro dia na empresa.
Evito bastante pensar no futuro, tenho medo. Mas o que mais me assusta é a falta de sentido na vida, o que me assusta de verdade é levar uma vida rodeado de pessoas que não me fazem bem, dentro de ambientes que me incomodam, fazendo coisas sem sentido pra agradar pessoas que dizem que me amam, e ter prazeres temporários a fim de anestesiar a dor do peito, da angústia. Daí eu vejo esses seres iluminados, que trazem a tona aquelas verdades incontestáveis, que todos trazemos escondidas de baixo do peito. Falam o óbvio, e eu me motivo, por que percebo a sinceridade e a sobriedade. "Aprender é mais urgente que armazenar informações, objetivos e pontos finais importam menos, quando se percebe a vida como um processo as velhas distinções entre derrota e vitória, sucesso e fracasso, desaparecem": essa provocação que vi num fanzine me tocou bastante. Sempre me vejo parado, esterilizado, limitado, por minhas vaidades, por minhas angústias. Seria hora de voltar à realidade e fazer o que tem de ser feito. Aprender é mais urgente que armazenar informações. Tenho que parar de me projetar adiante, num ponto onde nunca chegarei. Nunca serei um intelectual, conhecedor de tudo. Devo ser lento e atento ao que me rodeia. Se projetar onde não se alcança não é nem sonhar, é só devaneio, deve-se, antes, ter orgulho de si próprio, nutrir-se daquele amor próprio que nasce junto da gente e vai se perdendo ao longo do tempo, parar de se odiar, de emular julgamentos alheios, juntando tudo de mais terrível que ouvimos por ai, e nos machucar. Não maltratar meu coração, me respeitar, e me rodear de pessoas boas, que tem a acrescentar nessa minha jornada, pois se o sentido da vida é aprender, coisa que não deixamos de fazer um só dia, então devo me focar nisso e tirar o máximo proveito.
sexta-feira, 31 de julho de 2015
quinta-feira, 28 de maio de 2015
Preguiça e tédio
Preguiça não é só não querer fazer nada, é um pouco mais complexo do que isso.
Preguiça pode ser descrita como a intolerância com o aqui e o agora. Não é cansaço, é falta de disposição. Ela dialoga diretamente com o tédio, no sentido de que o tédio é também um sentimento de negação. No tédio negamos os estímulos que nos são dados, melhor, não nos manifestamos em relação a eles, mas ansiamos por algo, olhando pra tudo e negando tudo. Queremos que esse algo apareça magicamente diante de nós ou que uma disposição forte, também magicamente, nos cresça para que, aliada a esse sentido de algo, possamos nos ver livres da preguiça que nos suga a força vital.
segunda-feira, 25 de maio de 2015
Como?
Como as pessoas conseguem fazer de mim o que querem? Como elas, a partir de seus valores e visões de mundo, criam uma imagem de mim, que cabe tão perfeitamente, e eu a aceito? São das mais variadas naturezas e todas me servem. Parece até que eu não tenho subjetividade. Me parece até que sou apático ao máximo, como um boneco brinquedo, com o que a criança se diverte trocando sua roupa, movimentando seus membros articulados, e trocando as mais variadas posições.
sábado, 16 de maio de 2015
O medo da vida
Tenho medo de tudo
Tenho medo do futuro
Tenho medo das pessoas
Tenho medo das situações
Tenho medo das instituições
Mas, sobretudo, tenho medo
De não saber o que dizer
Tenho medo do futuro
Tenho medo das pessoas
Tenho medo das situações
Tenho medo das instituições
Mas, sobretudo, tenho medo
De não saber o que dizer
sexta-feira, 8 de maio de 2015
Autorreflexão (sabedoria)
Às vezes eu penso que todos sabem viver. Que todos, menos eu, sabem viver. Como se as pessoas conseguissem, de alguma forma, calcular suas vidas tão genialmente que o que experimentam é só aquilo que escolheram experimentar, ou se, caso o contrário - se lhes escapa a premonição e o perfeito calculo não ocorre - possuem uma genuína sabedoria intrínseca que lhe permitem driblar a situação ao sucesso.
Acontece que eu sei que me falta a sinceridade e autoestima necessárias para lidar com a vida de maneira decente, e que minha sensatez é a unica ferramenta capaz de me guiar por bons caminhos.
Porém sou muito vaidoso, ignorante, e medroso. Sinto demasiada culpa e tenho dificuldade para lidar com foco e atenção com a vida cotidiana.
Porém sou muito vaidoso, ignorante, e medroso. Sinto demasiada culpa e tenho dificuldade para lidar com foco e atenção com a vida cotidiana.
Quando se está vivendo, experimentando na hora, é difícil raciocinar e julgar os fatos de maneira sensata. É preciso talvez um pouco mais de experiencia - experimentar as coisas a fim de diminuir a vaidade, sem deixar de lado a reflexão e a tentativa de tomada de consciência.
quarta-feira, 6 de maio de 2015
Quando nascemos
Ser humano nasce, cheio de energia e disposição:
-Estou vivo. Que ótimo sentir e ser!
Mas o mundo se apresenta hostil à sua natureza:
-Cala a boca!
(tapa na cabeça)
-Decora essa tabuada aqui rapidão!
-Estou vivo. Que ótimo sentir e ser!
Mas o mundo se apresenta hostil à sua natureza:
-Cala a boca!
(tapa na cabeça)
-Decora essa tabuada aqui rapidão!
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