quinta-feira, 16 de maio de 2019
O tempo é o tecido de nossas vidas
Agora que eu não estou mais em uma rotina assalariada tenho uma coisa muito valiosa: o tempo. Posso cuidar do meu corpo, posso ter uma boa noite de sono, posso cuidar da minha alimentação e tenho muito mais calma para os afazeres - o que melhora minha auto-estima e minha saúde mental. O tempo também é útil à reflexão. Pensa bem quem pensa com calma. Engraçado as contradições do capitalismo. Morando com meus pais, abdicando de uma rotina assalariada, eu tenho este direito praticado (que na conjuntura vira privilégio) da calma, do tempo. Se estivesse na rotina do casa-trabalho-casa, construindo riqueza para alguém, sofreria com a ansiedade da pressa, o constrangimento do trabalho assalariado alienado e com a bitolacao da única tarefa. E ainda sofreria, num subemprego, o estigma da pobreza. A única tarefa nos decompõe à medida em que nos cansamos e perdemos desempenho quando estamos, durante muito tempo, num mesmo local, com as mesmas pessoas, os mesmos dramas, as mesmas ansiedades. A diversificação de atividades engajadoras e que exigem auto-disciplina é a chave para uma vida física e mentalmente saudável. É preciso, a despeito da aparente implacabilidade da lógica produtiva da sociedade do desempenho, diversificar atividades despretensiosas e que nos potencializem.
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