domingo, 29 de outubro de 2017

A verdade é que não existe poder centralizado. Os poderosos se espinham a todo momento por influência e garantias. Não há conspiração. O que há são convergências de interesse. Se as diferentes elites estão ganhando com o estado atual das coisas a tendencia é que continuem a agir do jeito que fazem e que se ajudem tacitamente. Por exemplo, é conveniente à elite midiática que a atual democracia não seja exatamente uma democracia, que as pessoas em geral não se engajem da política institucional que controlam nossas vidas, por conseguinte sua editoria não será no sentido de incentivar a participação política das pessoas, nem de passar uma boa imagem de políticos que podem por em prática políticas públicas que venham a educar os cidadãos e dar-lhes maior sentido ético e de cidadania.
Os poderosos também não são onipresentes e não tem de fato total entendimento sobre o estado das coisas, apenas agem através de uma personalidade energética e tem o respaldo necessário para ter por perto quem acredite que são de fato poderosos. Não existe poder intrínseco. Na verdade, poder é um contrato, um jogo para ser mais exato. A capacidade humana da ludicidade é o que torna possível os jogos de poder, os jogos identitários, onde cada um desempenha um papel com objetivos pré-definidos. "Você é meu chefe, eu sou seu empregado, eu tenho medo de ser demitido e faço tudo para seu agrado".
Se se quer acabar com o poder, ou pelo menos com seu lado sombrio é precisar deixar bem claro para si mesmo que o que importa não são os poderosos, o que importa são as estruturas de poder. É preciso subverter a lógica da obediência. E a lógica da obediência é o medo. E o medo é o apego ao que nos faz mal - um tipo de vaidade. Ou seja, a emancipação política é também uma emancipação espiritual. Existem muitas outras possibilidades de organização social e de formas de pensar e de sentir.